Ruth Rocha
Marcelo, Marmelo, Martelo e tantos outros
Olá, leitora. Olá, leitor. Tudo bem?
Estive na Ocupação Ruth Rocha, montada no Centro Cultural Itaú, em São Paulo, uma exposição que espero que siga por todo o Brasil. Afinal, estamos falando de Ruth Rocha, na minha opinião uma das melhores autoras de literatura infantil e infantojuvenil do mundo. E preciso dizer que temos por aqui só as melhores, como Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, Eva Furnari, Silvia Orthof e tantas outras, que também merecem todas as nossas reverências e homenagens.
Para mim, Ruth é muito especial. Livros como O reizinho mandão (que está na “Lista de Honra” do prêmio internacional Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura Infantil), Bom dia todas as cores, Romeu e Julieta sempre fizeram parte de meu repertório de contadora de histórias em escolas, bibliotecas e livrarias. E além desses há muitos, muitos outros livros de Ruth, que não vou citar aqui. Afinal são cerca de 200 títulos publicados, traduzidos em 25 idiomas, que somam mais de 40 milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior!
E o Marcelo?
Pois é, e o Marcelo? Ele está lá entre os destaques na exposição do Itaú Cultural. Marcelo, Marmelo, Martelo completa em 2026 os 50 anos de sua publicação e se tornou um verdadeiro clássico. Lançado originalmente em 1976, pela Editora Salamandra, foi um dos primeiros livros da autora, junto com Palavras, Palavras. De lá para cá, o título já somou cerca de 70 edições e mais de 20 milhões de exemplares vendidos. Com este livro, Ruth começou um movimento que ajudou a mudar para sempre no Brasil a literatura escrita para crianças.
É muito rica e criativa a história do menino mais perguntadeiro da face da Terra, que questiona o nome de tudo, quer explicações sobre todas as coisas, cria uma linguagem própria e deixa todo mundo enlouquecido. Quando lançado – época em que ainda vigorava a cultura de que criança não podia perguntar nada (e quanto mais quieta melhor), muito menos discordar da autoridade dos pais – o texto de Marcelo, Marmelo, Martelo foi mais que inovador, foi totalmente disruptivo. Com ele, Ruth Rocha quebrou o padrão de histórias infantis e, em tese, defendeu o respeito e o acolhimento à opinião da criança.
E a Ruth?
Em mais de cinquenta anos dedicados à literatura, a escritora tem mais duzentos títulos publicados, já foi traduzida para 25 idiomas e assina a tradução de uma centena de títulos infanto-juvenis. Ela completou 95 anos em março e continua ativa. (foto de arquivo pessoal)
O reconhecimento mundial de Ruth Rocha é tão relevante, que lá pelas tantas a escritora foi convidada pela Organização das Nações Unidas (à época em que a ONU era bem mais respeitada do que, infelizmente, é hoje...) para desenvolver, em parceria com o artista visual Otávio Roth, dois livros com temas sobre direitos humanos e sustentabilidade na educação infantil. Assim nasceram os livros Declaração Universal dos Direitos Humanos para Crianças e Azul e Lindo, Planeta Terra Nossa Casa. São livros lindos, que foram traduzidos para mais de dez idiomas e utilizados por braços institucionais da ONU em diversos países.
Outro trabalho seu de muito destaque foi realizado na Editora Abril, quando ela foi editora da Revista Recreio, uma das mais importantes revistas de educação e entretenimento voltadas para crianças. Muitos dos textos que viriam a ser editados como seus livros tiveram sua primeira publicação lá. Era uma revista interativa, trazia histórias, brincadeiras, atualidades, passatempos, sempre com foco naquilo que Ruth mais prezou: o respeito à inteligência das crianças, constantemente estimulada pelo conteúdo da revista. Não à toa Recreio fez história – hoje, a marca permanece em um site, mas suas edições antigas são disputadíssimas por colecionadores. Depois de dirigir a Recreio, ela tornou-se coordenadora do departamento de publicações infanto-juvenis da editora Abril.
Ruth continua brilhando, reconhecida por todos, mas aqui vai uma curiosidade: no dia em que estive na Ocupação Ruth Rocha, havia mais adultos do que crianças, gente bem interessada em tudo sobre a autora.
Para encerrar
Se quer saber mais sobre ela, te convido a ir até a Ocupação Ruth Rocha, que ficará em exposição até início de agosto, aqui em São Paulo.
E por falar em evento, ainda estou em ritmo de festa de um ano de lançamento do meu romance Arminda. A comemoração foi lá na Feira do Livro da 451, realizada no Pacaembu no início deste mês.
Se deseja ler Arminda, finalista do Prêmio Literário LOBA de 2025, fale comigo. Te mando autografado para o endereço que preferir. Garanto que não vai se arrepender.
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