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ARMINDA, NO DESCALÇO, OLHA A POEIRA DA ESTRADA.

Coquinho

A vida, carregada de dor, busca a luz do sol.

A roupa, batida e esfregada na pedra, quara a boca da noite na areia do ribeiro. Carregada de panos e bacia na cabeça, Arminda acorda ao brotar do sol. Roupas da vila inteira, auroras no correr do rio. No fluxo da água corrente, o ganha pão; gritaria e concerto de prosa corredeira. Contação de histórias nos brejos de água doce.

Eládio, chapéu amassado nas mãos, espreita as moças na lavoura da água limpa. Na lida do dia a dia, ele, no comprido do olhar, espia Arminda, e desabafa: “dia, moça”.

Na roupa, na reza, na lida do diário; mulheres e homens, crias e pássaros, proseiam sussurros. Todos no pagamento dormente e desenfreado da vivência estradeira, no antigo. Acho proseável o cabecear de árvores e o estralar do sol no assoprar do vento. A vivência não conforma respostas apontadas.

DORALICE... “Home [‘no difícil terreno chamado vida’] quer mulhé que trabalha durante o dia e abre as pernas à noite...”

Tenho crença no respiro da prosa. Dia após dia, o poeta aprende ausências.

“Como compreender a dor da perda? Como se conformar com o fato de que alguém simplesmente deixa de existir? Como acalentar filhos que ficam sem pai, mulher que perde o companheiro? Como falar sobre a vida, se era a morte que rondava seu viver?” Pág. 49

“A dor da saudade não passa, não. Mas o desespero passa, sim. Só que você precisa deixá ele ir s’imbora...” Pág. 55

“... e quando a gente vê, criô os filho e enfrentô a pior dor do mundo que é perdê alguém que a gente ama”. Pág. 55

“... a gente nunca sabe o que acontece com o coração da gente...” Pág. 74

“lembrança boa de se lembrar é aquela que limpa a cabeça da gente das coisas ruins do pensamento...” Pág. 91-92

Dona Irma, a exemplo de Arminda, é uma das personagens mais lindas da história.

“A vida, minha filha, é feita de vários mundo. Eles pode ficar junto, se entrelaçar, como pode ficar completamente separado. O seu mundo com Eládio se acabou, é verdade, mas você tem outro mundo pra tocar lá fora, tem seus fio esperando a mãe dizer pra eles o que vão fazer pra continuar a viver...” Pág. 99

Retomar a vida com leveza de infância. Dia depois do outro, ela foge do nosso entendimento.

“A vida é assim, menina. A gente não é de ninguém, não é nem de nós mesmas. A gente é de Deus, pra quem acredita em Deus. É do Diabo, pra quem prefere o Coisa Ruim. Mas o certo mesmo é que a gente não consegue controlar essa vida...” Pág. 133

“... a gente não resolve os nossos problemas, a gente simplesmente se torna maior do que eles...” Pág. 259

A vida, carregada de dor, busca a luz do sol.

Arminda me invadiu, da primeira à última página. Recomendo, pra ontem, a leitura de Arminda.

Meus parabéns, Van. Forte abraço.

Sucesso!

Barbacena, 10/12/2025.

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